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Jansen de Queiroz
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Isso mesmo, sem rodeios, sem falso moralismo e sem preconceitos ideológicos. O lucro é sim, a primeira e maior obrigação social de qualquer organização produtiva, incluindo-se as cooperativas e os governos, que chamam a diferença entre receita e despesas de superávit. Cooperativa e governos também quebram, quando não geram superávit. Sem lucro, não há empresa, nem empregos, nem produção de bens ou serviços, nem pagamento a fornecedores e de impostos que contribuem para que os governos cumpram suas obrigações de estado: saúde, educação, justiça, segurança e transporte.
Por incrível que possa parecer, há empresários e executivos que têm vergonha de ter lucro e outros que preferem desfrutarem da sensação do auto-engano de que a empresa é deles, e, que esta lhes confere, poder onipotente e onisciente. Preferem o exercício de seus caprichos, ostentação e vaidades ao lucro. Isso se aplica também a alguns executivos ditos profissionais. Este auto-engano os leva a não considerarem a importância das suas equipes na construção do lucro. Construção mesmo, porque o lucro é o resultado da combinação complexa do capital investido, da capacidade gerencial dos dirigentes, da equipe treinada, motivada e comprometida com os objetivos da empresa e dos clientes, da interação com: fornecedores, comunidade e financiadores. A comunidade cada vez mais interfere na atividade e nos resultados, através da exigência de respeito ao meio ambiente.
Eventualmente, o que poderá ser ruim, é o uso que o empresário possa fazer do lucro. Se o consumir em ostentação e levar a empresa à falência ao invés de reaplicar parte substancial do lucro, para que a empresa se desenvolva com segurança e amplie os empregos e todos os benefícios daí decorrentes, se tornará um irresponsável socioeconômico. Isso pode ocorrer com qualquer um que gaste mais do que recebe.
Não obstante, o lucro ser a medida de sucesso universal das empresas e ter enorme relevância para a vida das empresas, de per si, não é bastante e suficiente para garantir a sobrevivência das organizações produtivas. É necessário que empresários e executivos tenham competência para combinar de forma harmônica e situacional as variáveis essenciais da gestão polifocal: lucro, segurança, desenvolvimento – da equipe e da empresa - qualidade de vida - de líderes e liderados - e respeito ao meio ambiente.
Os executivos e profissionais da área de RH, têm boas oportunidades de se constituírem na origem do processo de construção do lucro. É da responsabilidade profissional do RH, entre outras, o recrutamento, a seleção, o treinamento, a responsabilidade por facilitar a qualidade de vida no trabalho e promover o incentivo ao respeito ao meio ambiente. Cada uma destas funções permite enormes oportunidades de gerar condições necessárias para a construção do lucro.
A contração de recursos humanos é a mais difícil, complexa e, não obstante, os cuidados técnicos, não se eliminam por completo o risco e a incerteza do sucesso. É a contratação de recurso mais importante entre todas outras aquisições. Talvez, a mais difícil decisão empresarial. Imagine as conseqüências de se comprar um avião de última geração tecnológica e não se ter piloto treinado, motivado e comprometido com as metas da companhia. Uma estrondosa perda de recursos. Caso se tende levantar a aeronave nessas circunstâncias, assume-se elevadíssimo risco financeiro e humano.
O executivo e o profissional de RH não podem ficar prisioneiros da armadilha ideológica colocada pelo marxismo, que o conflito antagônico entre o capital e o trabalho é insolúvel. A abordagem marxicista da relação capital x trabalho é equivocada. Capital e trabalho não são antagônicos, são complementares. Só há empregos em expansão e sindicatos fortes se existirem empresas fortes e em crescimento. Só existirão empresas fortes e em crescimento se houver a disponibilidade de recursos humanos qualificados.
O conflito entre o homem e a organização, está no fato do homem ser eminentemente emocional e a organização, criação do homem, ser eminentemente racional, como percebido inteligentemente por Chris Argyris, no livro Personalidade e Organização.
O executivo e o profissional de RH precisam romper o paradigma da competição para que melhore o relacionamento interpessoal, a gestão do tempo e a qualidade de vida e, conseqüentemente, se reduza o desperdício e o desgaste emocional, que freqüentemente induz o surgimento de várias doenças do “trabalho”. A competição é causa da maioria dos conflitos interpessoais e da ausência de uma relação de confiança entre os colegas e pares. No nível interno, a competição precisa ser substituída pela cooperação. A crença questionável de que a competição é inerente ao ser humano, pode e deve ser canalizada para a competição entre empresas concorrentes de sorte a permitir que o clima organizacional seja mais um fator agradável para o individuo ser produtivo com qualidade de vida, contribuindo para a construção do lucro, para a segurança do seu emprego e para o desenvolvimento das pessoas e da organização.
Continue à vontade para me questionar ou encaminhar-me seu entendimento sobre: por que é auto-engano o fato de pensar que a empresa é minha? Por que o lucro não é bastante e suficiente para a sobrevivência da empresa? Por que a maioria dos RH se preocupa mais com a administração dos fluxos burocráticos? Por que me alinho com Chris Argyris sobre a natureza do conflito homem x organização? A segurança no modelo de gestão polifocal é uma das pernas do tripé do LSD: lucro, segurança e desenvolvimento |