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De acordo com estudiosos do comportamento humano, crianças que nasceram a partir de meados da década de 90 até os dias atuais pertencem a um grupo denominado Geração Z. Segundo eles, os bebês que nascem em um determinado período de tempo são influenciados por um mundo comum, pelas características que compõe o Zeitgeist e afetam, inevitavelmente, aqueles que vivem e nascem nessa época. Quais os fatores que influenciam os jovens da última geração registrada por esses estudiosos, a Geração Z? Entre muitas outras peculiaridades, específicas de cada região do planeta, podemos destacar o mundo globalizado, interconectado e extremamente tecnológico em que vivemos. Esse universo cria nas crianças nascidas nas últimas duas décadas características únicas, que definem essa geração tecnológica.
A dúvida que resta aos empresários e gestores: como essa geração influenciará o mercado de trabalho? Em poucos anos essa pergunta será respondida. Mas adianto, os jovens Z iniciarão uma tendência que deve perdurar a partir deles, da integração total à tecnologia e aos parâmetros determinados pelo novo milênio. Essas crianças, que nasceram a partir de 1995, alcançarão a maioridade em breve e terão carta branca para atuar no mercado de trabalho. Muito se tem discutido sobre essa chegada triunfal dos nativos tecnológicos às empresas, alguns gestores enxergam essa geração com otimismo, os setores de informática e comunicação esperam com ansiosidade por esses profissionais, outros, mais conservadores, temem pelo que está por vir.
Para começar a compreender essa juventude a partir do ponto de vista empresarial, precisamos entender que esses jovens vivem um ritmo fragmentado, devido à variedade de atividades que executam simultaneamente: enquanto escutam música, navegam no computador e olham de relance para a televisão, ou seja, fazem um pouco de tudo ao mesmo tempo, com muita rapidez. Aplicada à lógica empresarial e pensando, como dito acima, que essa criança chegará em breve ao primeiro emprego, essa característica tem um lado bom, já que trará funcionários multitarefa, capazes de realizar várias atividades ao mesmo tempo. Mas também um lado negativo, pois se não receberem um foco claro do que deve ser feito a cada momento, serão profissionais dispersos, que se concentram muito menos e por um tempo menor em uma só atividade.
Tendo o celular como item obrigatório para a sobrevivência, conectados ao Orkut e ao Twitter, as crianças e jovens de hoje vivem em constante diálogo e valorizam a comunicação, por isso, no futuro, tendem a exigir acesso direto aos superiores e explicações daquilo que lhes é solicitado. Em empresas com uma hierarquia mais flexível, essa atitude tende a ser positiva, até encorajada, mas, em companhias mais fechadas e com posições bem definidas, os questionamentos e opiniões da Geração Z podem não ser tão bem vistos.
Finalmente, uma última característica, a Geração Z nasceu e vive em um mundo globalizado, por isso, tem uma visão ampla e clara do todo em que vive, nesse caso, em que trabalha. Esses futuros profissionais enxergarão a empresa em todos os seus âmbitos e terão uma noção maior do que deve ser feito para que ela cresça. Não acredito que essa visão global tenha um lado muito negativo, talvez a falta de foco no micro, mas, sobretudo, é uma característica positiva e que trará ao mundo empresarial uma qualidade útil nas empresas modernas, a noção de que ela está inserida em um universo de conexões, e a importância de mantê-las saudáveis.
A Geração Z pede por mudanças. Conectados em iPods e sites de relacionamento, os jovens que nasceram sob o domínio da tecnologia chegam ao mercado de trabalho esperando por um mundo semelhante ao seu, conectado, aberto ao diálogo, veloz e global. Aos empresários, fica a opção de encarar essa mudança e atualizar seu negócio, criando novas formas de diálogo, liderança e motivação, ou tentar lutar contra a maré, mantendo-se conservador frente às várias mudanças que vimos acontecer nos últimos anos. A partir do que venho observando, com a chegada da Geração Y (nascida da década de 70 até a metade da de 90, aproximadamente) ao mercado de trabalho, acredito que a ortodoxia trará mais prejuízos e dores de cabeça do que a aceitação da mudança.
Ainda temos alguns anos para nos adaptar, para trazer o setor empresarial ao século XXI. Para aqueles que resistirem à inovação, fica a pergunta: o que acontecerá quando a mente jovem da Geração Z colidir com o mercado de trabalho, muitas vezes antiquado, que vemos por aí? A resposta virá em alguns anos, quando a primeira criança que nasceu no novo milênio bater a porta de sua primeira entrevista, com uma mente fervendo de novidades e um mundo profissional para desbravar.
Eduardo Shinyashiki é consultor, palestrante e diretor da Sociedade Cre Ser Treinamentos. Autor do livro Viva Como Você quer Viver, da Editora Gente. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br. |